Os brilhantes do brasileiro: Camilo e a desconstrução do herói romântico.

Juliana Yokoo Garcia *

 

Este estudo faz parte de um projeto de iniciação científica financiado pela FAPESP (Fundação de amparo à pesquisa do Estado de São Paulo). A pesquisa específica sobre Camilo Castelo Branco iniciou-se a partir da formação de um grupo de estudos que, orientado pelo Prof º Drº Paulo Motta Oliveira, pretende abordar a obra camiliana a partir de seu viés crítico, problematizando a posição que este autor ocupa, até hoje, no cânone da Literatura Portuguesa.

Como sabemos, a obra de Camilo Castelo Branco é definida por grande parte da crítica como seguidora de “duas tendências alternativas” (SARAIVA e LOPES, 1984, p.783): a novela passional e a novela satírica de costumes, sendo a primeira, sem dúvida, a mais estudada.

Segundo Saraiva e Lopes a novela passional camiliana é marcada pela presença da “religião do amor”, da fórmula “mártires do amor”, da promoção do “amor à categoria do sagrado, do incomensurável com a razão e com as normas morais correntes” (SARAIVA e LOPES, 1984, p. 784). Para Massaud Moiséis, há nesta, “criaturas impulsionadas por uma espécie de fatalismo do sentimento, se entregam ao amor que é paixão e não desejo de elevar-se pela contemplação do outro – guiadas por instintos, por imperiosas necessidades físicas” (MOISÉS,1967, p.89).

Em ambas as classificações, portanto, podemos notar que a crítica aponta como centro da novela passional camiliana a presença de personagens que se enquadram perfeitamente ao conceito de “herói romântico”. Entretanto, a partir da leitura de alguns romances, pudemos perceber que Camilo Castelo Branco, ao contrário do que grande parte da crítica afirma, possuía um objetivo maior na sua obra: a crítica social, ou seja, a tentativa de mostrar as irregularidades de uma sociedade que era, ou fingia-se ser, visivelmente moral. Essa crítica pode ser percebida em diversos níveis, entre eles, a presença constante da voz narrativa, desfechos inusitados de alguns personagens e, o que tentaremos evidenciar aqui, a caracterização e constituição dos personagens. 

Para tanto, iremos analisar de forma mais específica, os personagens protagonistas do romance Os brilhantes do brasileiro, contrapondo tal análise ao conceito de “herói romântico” e buscando, dessa forma, evidenciar a simplificação sofrida por grande parte da obra camiliana.

Inicialmente, iremos explorar o conceito de “herói” adotado no período romântico. A partir da definição de “herói” encontrada no Dicionário do Romantismo Literário Português, coordenado por Helena Carvalhão Buescu, podemos notar que este personagem adquire um conceito específico no quadro romântico. Desde sua origem associado à noção de destaque social, moral ou físico, o herói protagoniza situações de sofrimento e crise irreversíveis. Além disso, este personagem está sempre ligado a uma valoração positiva, ou seja, encarna diversas qualidades e poucos ou nenhum defeitos, sendo sempre uma espécie de exemplo a ser seguido. Com o advento do romance o herói perde sua “sacralização” e passa a ser retratado de maneira mais prosaica. Este prosaísmo colabora para que o papel deste herói comece a ter um destaque ainda mais trágico e destrutivo. Isso ocorre porque, segundo Buescu, “o herói romântico é motivado por uma virtual conflitualidade - com os outros, com a sociedade, consigo mesmo – directamente condicionada pela radicalidade com que assume determinados valores românticos” (BUESCU, 1997, p.231). 

Dessa forma, este personagem retrata sentimentos de solidão, tristeza, desilusão que, quando ligados a conflitos amorosos tendem a resultar em situações de grande tragicidade tal qual suicídios, exílios, etc.

Podemos perceber, portanto, que aquilo que Buescu afirma ser o típico “herói romântico” corresponde à descrição de Saraiva e Moisés acerca da obra camiliana, pois é possível afirmar que o “herói romântico” nada mais é do que o “mártir do amor”, para Saraiva, ou ainda a “criatura impulsionada pelo fatalismo do sentimento”, para Moisés. 

Antes de partirmos para a análise específica do romance, é importante destacar que Os brilhantes do brasileiro é considerado por grande parte da crítica como uma novela passional, assim como podemos encontrar no recente Dicionário dos personagens da novela camiliana de Maria de Lourdes Ferraz.  Nele, Ferraz refere-se ao romance como “a história dos amores contrariados, puros e abnegados de D. Ângela de Noronha Barbosa e de Francisco José da Costa”. (FERRAZ, 2003, p.121).

Resumidamente, este romance conta a história de Ângela, uma mulher que, apaixonada por Francisco, um homem de classe social inferior a sua, enfrenta a figura do pai e da família para realizar seu desejo amoroso. O pai, o reconhecido Simão de Noronha, furioso com tal enfrentamento, mete-a num convento, de onde Ângela sai e casa-se com Hermenegildo, um brasileiro rico, de certa forma, a contragosto. Como não esquece o amado, vende as jóias que ganhou de seu marido e passa a ajudar secretamente Francisco que, a esta altura, estudava medicina no Porto, sustentado pela ajuda da amada sem o saber. Francisco, após sua formatura, vai para o Brasil onde conhece Hermenegildo e descobre de onde vinha a ajuda que o fez se formar. Morre o brasileiro e Francisco volta a cidade natal reencontrando Ângela. Como médico cura o pai de Ângela que finda por abençoar a união do casal que por toda vida rejeitou. Ao final, Ângela casa-se com Francisco, com quem tem seis filhos e torna-se Condessa, sendo, finalmente, reconhecida pela sociedade, que durante todo o tempo a condenou.

Este enredo, contado desta forma, não parece fugir muito daquilo que descreveu Buescu sobre o herói romântico. Analisando de maneira bastante superficial, é possível encontrarmos aqui heróis que sofrem grandes descontentamentos por conta de um amor que transcende as barreiras impostas pela sociedade.

Entretanto, como tentaremos mostrar, estes protagonistas estão longe de corresponderem a essa imagem sofredora e desiludida difundida pelo Romantismo.

Iniciaremos esta análise a partir da imagem que o autor cria do personagem Francisco. Francisco é retratado como um homem bastante honesto e trabalhador, que se apaixona por Ângela, mas que tem plena consciência dos impedimentos sociais que os separam. Limita-se a escrever cartas e poemas à amada. Em meio aos seus escritos, muitas vezes, Francisco pode ser facilmente visto como um dos personagens que mais se enquadram no conceito de “herói romântico”.

No início de seu romance com Ângela, Francisco afirma: “(...) Quem eu conheço e adoro é uma mulher que se chama Ângela, que tem no rosto uma luz celestial, e essa luz ma representa de geração divina. Ali há sinal de origem mais alta”.(CASTELO BRANCO 1869, pg.52).

Essa visão “romântica” operada por Francisco é imediatamente relativizada pela consciência do seu lugar social, quando completa: “Eu vou busca-lha no céu: não a procuro na fundação da monarquia”. (CASTELO BRANCO 1869, p.52). Se há aqui, neste trecho, de fato uma visão idealizada do amor, uma vez que o protagonista pretende buscar a amada no céu, há também uma quebra desta idealização quando este se depara com a realidade e percebe que inserido nela, não será possível realizar este amor. O que o distinguiria então do típico herói romântico seria a sua capacidade de aceitar sem altos padecimentos a imposição social.

Essa idéia de aceitação e, mais ainda, de enquadramento, irá permear todo o romance como podemos perceber a partir da caracterização de Ângela. A imagem de Ângela construída pelo narrador mostra-se um tanto inusitada para aquilo que os críticos chamam de heroína ou mulher românticas. Já desde o início, podemos perceber que nossa protagonista possui atitudes bastante independentes, que não correspondem a uma imagem sofredora, resignada, desiludida. Podemos perceber através das diversas ações da personagem, que esta se mostra bastante independente e decidida. Mas o fato é que não podemos negar que Ângela se mostra bastante realista com relação a sua situação. No início de seu romance com Francisco, Ângela também se mostrava bastante apaixonada e talvez um pouco mais esperançosa, uma vez que ainda não tinha ao certo a dimensão da diferença social. Entretanto, com o passar do tempo, a impressão que fica é a de que a protagonista começa a perceber a força das imposições sociais e a partir de então, passa a se enquadrar nesta sociedade. O grande momento em que percebemos este enquadramento é o casamento de Ângela com Hermenegildo. Apesar de ser fruto de uma promessa, Ângela não se opõe à união e, mais importante, não sofre. Talvez até desgoste, mas não há o sofrimento típico da heroína.

Outro dado importante que nos ajuda a desmistificar uma possível imagem da protagonista como heroína é o fato de que, quando sai do convento, Ângela procura seu pai para tentar o perdão, pois “cogitava ser rica para enriquecer Francisco e irmã” (CASTELO BRANCO, 1869, p.61). Curiosamente, alguns meses depois vem a se casar com Hermenegildo, lembre-se, um brasileiro rico.

Parece-me claro que a protagonista não tenha simplesmente esquecido a empreitada de enriquecer Franscisco e a irmã. Seja oportunismo, estratégia, ou simples coincidência, definitivamente não é uma atitude pertencente a uma mulher inserida em um contexto “passional”.

Uma outra característica bastante importante pra entendermos este retrato é a imagem física que o narrador nos fornece de Ângela. Como veremos, a típica imagem da mulher romântica pura e idealizada é destruída pela idéia de que a personagem se constitui como uma mulher real, humana, possuindo defeitos e qualidades como qualquer outro ser humano e podendo ser substituída por qualquer outra.

Para mostrar essa imagem temos a voz do narrador:

 

“Temos, portanto, donzela invulnerável? Ângela desmentirá a exuberante sensibilidade de sua mãe? Ou, namorada das visões beatíficas do cristianismo, suspira pela soledade do cenóbio? Muito longe dito, e muito adentro das raias da natureza humana estava a peregrina Ângela”.(CASTELO BRANCO 1869, p.45).

 

Nesta passagem é possível perceber o retrato bastante realista da protagonista. Ao contrário de sua mãe que sofrera e amara sensivelmente, Ângela encontra-se “nas raias da natureza humana” ou seja, no plano da mulher real.

Ainda problematizando o conceito de herói romântico, podemos analisar brevemente o desfecho atribuído ao casal protagonista. Desde o início do caso amoroso, como vimos, Francisco sempre manteve uma postura pessimista com relação ao futuro deste amor. Já Ângela, mostrou uma atitude independente e insubordinada ao tentar ultrapassar as barreiras sociais que impediam seu amor. Com o tempo e a experiência, entretanto, a protagonista começa a perceber que não há amor tão forte que possa ultrapassar tais barreiras e finda, como vimos, por se enquadrar socialmente.

O acaso faz com que Francisco descubra a ajuda que recebeu de Ângela, mas, nem assim, mostra-se disposto a procura-la. Já Ângela, apesar de saber como contatar Francisco também não o faz. Esse jogo de “desistências” parece sugerir uma espécie de simples obra do acaso. Será que se Ângela não estivesse na casa de Francisco quando este volta para o Brasil, ele iria procura-lo, ou vice-versa? A atitude dos dois personagens durante o romance parece negar essa possibilidade.

Entretanto, ambos se encontram e acabam se casando. Abençoados pelo pai de Ângela aceitam ir morar em Ponte de Lima e recebem os títulos de Conde e Condessa, título este negado por Francisco. Se pensássemos novamente no conceito “romântico”, poderíamos afirmar, ao final, que o amor do casal transcende as imposições sociais. Mas através de nossa análise percebemos que não é assim. Quando Francisco volta, Ângela já não possui mais impedimentos sociais, uma vez que já não ocupa mais sua antiga posição de fidalga, o que permite que esta se una ao amado.

Já quando ambos se reconciliam com o pai de Ângela, podemos notar que ainda assim não há impedimentos sociais, uma vez que, ao ser perdoada, Ângela volta ao seu lugar de fidalga e Francisco, por conta de seu sucesso no trabalho, desempenha um papel de grande respeito social. A pergunta que fica é: teria Simão abençoado a filha e o genro se este ainda fosse de classe social inferior a sua? Parece-me aqui que fica clara a subordinação do amor e dos relacionamentos interpessoais ao valor social e a presença do dinheiro, subordinação esta que, lembre-se, contradiz claramente todo o conceito difundido sobre as atitudes e destinos do “herói romântico”.

É interessante ainda retratar, a trajetória de um personagem que, oscilando entre secundário e principal, mostra uma espécie de caricatura do herói romântico, ou ainda, o retrato da desconstrução desta imagem inserido no próprio romance considerado “passional”: o brasileiro Hermenegildo. Retratado sempre de uma maneira negativa, este personagem possui, inserida em sua trajetória, uma experiência que visa mostrar, a meu ver, a impossibilidade deste amor aos moldes românticos.

Quando conhece Ângela, podemos notar que, de fato, Hermenegildo se apaixona por ela, não necessariamente pela mulher, mas principalmente pela imagem desta. Sonhando com seu casamento, alcança seu objetivo. Mas com o passar do tempo, ao perceber que Ângela não o ama, começa a “arranjar-se” com duas amantes. Ora, Hermenegildo parece superar bem este amor. É interessante notar que, quando descobre que sua mulher vendeu os brilhantes, o que começa a preocupa-lo não é o amor, mas sim sua honra. Em um momento de nervosismo, Hermenegildo afirma que poderia se matar de tanto desgosto. Nesse momento, seus amigos passam a aconselha-lo:

 

“- Pois você ainda está nessa!... Matar-se por causa de mulheres! Está a ler o nosso homem! (...) Faça de conta que morreu e trate de arranjar outra...

– Ou duas, que é melhor! – emendou Atanásio.

– Ou três, que é mais peitoral – ampliou Pantaleão.

– Quatro, quatro, para não ser pernão... O dado é sete fêmeas para cada macho”.(CASTELO BRANCO, 1869, p.39).

 

Hermenegildo, porém, não precisaria se preocupar em seguir este conselho, afinal já possuía duas amantes. A total desconstrução, entretanto, irá se dar em um momento em que o personagem geme e chora em seu quarto.

 

“A comadre foi escuta-lo à porta e veio dizer ao marido que o compadre estava a gemer de saudades da indigna mulher. (...)

– É uma dor de barriga – (...) Dá-me você um bocado de Holanda a ver se esmôo este diabo de marisco?”(CASTELO BRANCO, 1869, p.40).

 

Podemos dizer que o que se mostra aqui são exemplos reais de que o amor incondicional não é capaz de sobreviver em uma sociedade regida por “brilhantes”. Ora, parece-me no mínimo estranho, uma história passional possuir como destaque de seu enredo um personagem que desmistifica toda a idéia do amor “puro, contrariado e abnegado”, afinal, como nos diz o personagem Atanásio, amigo de Hermenegildo, “- mulheres não faltam, física e moralmente falando” (CASTELO BRANCO, 1869, p.37).

Para concluir, faz-se necessário destacar a caracterização destes personagens segundo Maria de Lourdes Ferraz. Acreditamos necessária tal comparação, como forma de evidenciar como a simplificação sofrida pela obra camiliana se estende até hoje.

No Dicionário de personagens da novela camiliana, Ferraz atribui um verbete para cada personagem do romance. Entretanto, muitas vezes apenas transcrevendo aquilo que o próprio narrador diz no romance, a autora não faz referência nenhuma aos “desvios” de personalidade dos protagonistas, sugerindo que, em se tratando de uma “história dos amores contrariados, puros e abnegados”, estes correspondam aos típicos “heróis românticos”.

Algumas frases podem denotar tal sugestão. No verbete Ângela, por exemplo, a autora refere-se ao momento em que a protagonista encontra Francisco: “Esclarece-se tudo e o amor segue os lances habituais”. (FERRAZ, 2003, p.122). Já no verbete Francisco, a autora afirma que este “vence o amor e a verdade”. (FERRAZ, 2003, p.123). Tentamos mostrar aqui que tanto um quanto outro possuíam amor, não podemos negar, mas este se mostrou, durante toda a trajetória, sempre subordinado às leis sociais e ao dinheiro, elementos estes que não aparecem citados por Ferraz em nenhum momento de sua descrição.

Acreditamos, portanto, que algumas leituras críticas parciais sobre a obra de Camilo Castelo Branco findam, muitas vezes, por influenciar um leitor mais desatento que passa a não notar as diversas recorrências de crítica social.

 

 

 

Bibliografia:

BUESCU, Helena Carvalhão. Dicionário do romantismo literário português. Lisboa : Caminho, 1997.

CASTELO BRANCO, Camilo. Os Brilhantes do Brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d.

FERRAZ, Maria de Lourdes. Dicionário de personagens da novela camiliana.Lisboa: Caminho,2003.

MOISÉS, Massaud. Presença da Literatura Portuguesa. São Paulo: Difusão européia do livro, 1967.

SARAIVA, António José e LOPES, Oscar. História da Literatura Portuguesa. Porto: Porto editora, 1984.

 

 

Resumo:

 

Os Brilhantes do brasileiro: Camilo e a desconstrução do herói romântico

 

Ao contrário do que grande parte da crítica especializada afirma, Camilo Castelo Branco possui em seus romances um viés crítico, através do qual denuncia, muitas vezes, a própria sociedade na qual esteve inserido. Entretanto, ainda hoje, é possível encontrar estudos nos quais estes romances são classificados simplesmente como histórias de amores contrariados, puros e abnegados, ou seja, apenas como novelas passionais. Os brilhantes do brasileiro, por exemplo, é assim definido no Dicionário dos personagens da novela camiliana, publicado em 2003 e organizado por Maria de Lourdes Ferraz. Para que possamos problematizar esta postura, pretendemos analisar os protagonistas deste romance (Ângela e Francisco), contrapondo-os com aquilo que a crítica usualmente classifica como “herói romântico”, e mostrando como, através deles, Camilo critica a sociedade de seu tempo e seus valores.

 

Palavras-chave: Romantismo, crítica social, Camilo Castelo Branco.

 

 

Abstract

 

Os Brilhantes do Brasileiro: Camilo and the deconstruction of the romantic hero

 

Contrarily to what the most part of the specialized criticism affirms, Camilo Castelo Branco shows in his novels a critical view, through which he many times denounces his own society. However, it is possible to find, even nowadays, studies in which these novels are classified simply as stories of vexed, pure and self-denied love, therefore, just passionate novels. Os Brilhantes do Brasileiro, for instance, receives this kind of definition in Dicionário dos Personagens da Novela Camiliana, published in 2003 and organized by Maria de Lourdes Ferraz. In order to put in doubt this perspective, we intend to analyze the protagonists of this novel (Ângela and Francisco), opposing them to what the critics usually classify as “romantic hero”, and showing through them how Camilo criticizes the society of his time and its values.

 

Key-words: Romanticism, social criticism, Camilo Castelo Branco. 

 

 



* Aluna de Graduação, Licenciatura e Iniciação Científica em Literatura Portuguesa do curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências humanas da Universidade de São Paulo.